quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Branding da Copa do Mundo

O Brasil é um país campeão em perder boas oportunidades. A Copa do Mundo de 2014 parece que vai ser mais uma delas.

Qual o interesse de fazer um mega evento global no país? Ganhar o campeonato? Não. Ganhar dinheiro com os turistas que vem ao Brasil ver a Copa? Bobagem, já provei e postei no meu blog que a receita adicional de turismo durante a Copa é muito pequeno, representando um aumento inferior a 10% daquilo que o país arrecada anualmente sem a Copa. Melhorar a infraestrutura do país? Absurdo total, pois quem investe é o próprio país e com certeza nossa prioridade como nação não é exatamente aquela que a FIFA exige.

Então qual a vantagem? São duas: 1a) é uma espetacular ferramenta de Place Branding, gerando um imagem GLOBAL de um país moderno, progressista, em desenvolvimento, com harmonia social, com governos competentes, com empresas sadias e com expectativa de crescimento. Portanto, a imagem que vai ser transmitida para o exterior é fundamental. Isso é obtido com o conjunto de ícones que são criados em torno do evento, trabalho típico de Design. Nesse quesito a Copa foi um fracasso. A marca do Chico Xavier, o mascote Fuleco, o slogan “Juntos num só ritmo” e nome da bola “Brazuca” formam um conjunto de comunicação de dar pena. Ou raiva. É o samba do “crioulo doido”. A 2a vantagem tem a ver com aspectos motivacionais do público interno, a população e a cidadania do país tem num evento nesse tipo um estímulo e um incentivador, que acabam impactando a economia como um todo.

Entendo que a maioria da sociedade brasileira não está apaixonada com a Copa no Brasil. Uma parte mais exaltada (e equivocada) está se manifestando clara e violentamente. Uma grande maioria silenciosa que não quer a violência, mas que não consegue se envolver, afinal sabemos que a grana está correndo solta, que é mais fonte de corrupção e que preferia aplicar a dinheirama em outras prioridades.

Se isso for verdade, a Copa do Mundo será um fracasso para o Brasil. Me pergunto se todos as empresas que patrocinaram o evento, ainda continuam convictos que fizeram bons negócios. Me pergunto quantas empresas não estariam receosas ou sem tesão nesse momento de criarem e investirem em campanhas e promoções ligadas ao torneio.

Sinceramente, gostaria de estar errado e que o otimismo do Nizan certo. Mas não estou vendo grandes chances de isso ocorrer.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Palestra: Branding & Restaurantes



Na terça-feira passada, tive o prazer de ser convidado a palestrar em um evento da Associação dos Profissionais de Cozinha, junto ao lançamento dos novos produtos da linha Chef da Nestlé. O tema da palestra foi Branding & Restaurantes. Meu intuito foi expor a importância do Branding como instrumento holístico de administração de um negócio, e, no caso, do negócio de restaurantes.

Cada restaurante é uma Marca, e esta Marca deve levar em conta o que todos os públicos com quem interage estão percebendo, pensando e opinando sobre ela. A Marca define um posicionamento e uma promessa e, a partir disso, seus públicos criarão uma relação sólida de confiança com esta Marca. Caso haja o cuidado de que confiança não seja quebrada, a empresa que atuar através do Branding apresenta uma grande chance de estar à frente de seus concorrentes no mercado.

Desde que me tornei um “brander” acredito que um dos segmentos de mercado que mais precisam do Branding são os restaurantes. Isso por que, a cada dia novos restaurantes são abertos e a qualidade de seus serviços está se sofisticando cada vez mais. Dessa forma, como diferenciar o seu restaurante e ganhar vantagem competitiva? Para isso é necessário pensar além da boa comida, e considerar que o serviço dos restaurantes é uma EXPERIÊNCIA; se atentar aos outros aspectos relevantes para esta experiência acontecer, como a localização, o estacionamento, o atendimento, o ambiente, a iluminação; e desenvolver seu negócio através de uma Big Idea – o ponto central e conceitual que une todas as idéias para o restaurante – de  um storytelling eficaz e de uma missão, visão e proposição de valores para a marca.

Abaixo confira alguns cases interessantes de Restaurant Branding que foram apresentados na palestra:


O.NOIR 

O primeiro restaurante do Canadá que convida os consumidores a ter a experiência de comer, beber e conversar NO ESCURO!
É uma experiência sensual como nenhuma outra. Quando você come sem a sua visão, os sentidos restantes são intensificados para sentir o cheiro e o sabor dos alimentos.
Além de incendiar a imaginação e estimular os sentidos no O.Noir os clientes obtêm uma melhor compreensão de como é ser cego, assim como toda a equipe de funcionários do restaurante.
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CONFLICT KITCHEN

Cada interação com a Conflict Kitchen é acompanhada por eventos, performances e discussões que visam ampliar o envolvimento que o público tem com a cultura, política e questões em jogo dentro do país foco.
O restaurante troca de identidade de tempos em tempos de acordo com eventos geopolíticos atuais.

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DINNER IN THE SKY

O conceito de jantar mais exclusivo do mundo, realizando algumas das melhores refeições privadas, coquetéis, lançamentos de produtos, e recepções de casamento.
Dinner in the Sky pode ser utilizada como uma poderosa ferramenta de negócios para sediar eventos exclusivos, como eventos corporativos, reuniões confidenciais, road shows produtos ou até programas de rádio e televisão.

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CHEESE BAR

O Cheese Bar fica em Madrid e tem como missão difundir todos os aspectos em torno da cultura do queijo.
O espaço abriga uma adega com queijos e vinhos, dois bares, duas salas para degustação com diferentes estilos de consumo. Há também uma biblioteca com volumes sobre o mundo dos queijos e da gastronomia, e nela ocorrem eventos como degustações, palestras, apresentações e conferências.

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Rebranding do Beach Park


O Beach Park, empreendimento bem sucedido que está entre os 20 maiores parques aquáticos do mundo, se apresentou a mim já ciente de seu potencial de crescimento no mercado. Uma empresa que conhece seu valor, deseja e busca constantes melhorias e, como pude descobrir após este trabalho de sucesso, a quem as mudanças não afugentam. Murilo Pascoal, sócio diretor da empresa, procurou a mim, minha equipe no Brasil e o time da Brandia Central em Lisboa para desfrutarmos dessa oportunidade de desenvolvimento do negócio.

O projeto começou com a percepção de uma inconsistência na marca. Não havia um critério para a construção da arquitetura de marca; os variados produtos, serviços do Beach Park estavam desconexos, e a força de cada um destes pontos de contato não estava sendo explorada ao máximo. Os personagens, vindos de um universo infantil, não possuíam histórias que os ligassem entre si e, principalmente ao parque; assim o uso da Dona Foca, simplesmente o principal elemento da marca, nos alertou para a necessidade de aplicar o Branding para promover uma transformação.


Não só foi percebida a necessidade de uma nova identidade visual, como foi repensado o modelo de negócios por nós e pelo cliente. O Beach Park possui uma diversidade de atrações – resorts, restaurantes, agência de viagens, o próprio parque - que precisava permitir a potencialização da experiência do consumidor. O intuito do projeto era de evolução, e isso resultou na implementação de um novo posicionamento que ampliaria a oferta de um "parque aquático com serviços de hotelaria e restaurantes no entorno" para um "complexo turístico completo que tem um parque aquático como âncora". Veja o hotsite de lançamento da 1a fase do trabalho: www.beachpark.com.br/novamarca

Este posicionamento diferenciador nos levou ao Rebranding do Beach Park - 2 anos de muito trabalho. Foi definida uma personalidade para a marca, com o desenvolvimento de um patrimônio simbólico e emocional de valor para a mesma. O novo conceito visual traçado envolve atributos como diversão, emoção, fantasia, evasão e partilha. E o novo logo traduz “Alegria”, principal atributo intangível da marca, através de elementos do parque – tubos, elemento humano e água.


Foi também parte essencial do projeto a construção de uma nova arquitetura de marca, compreendendo todas suas submarcas, e desenvolvidas novas identidades visuais. O Beach Park Resort passa a ser a identidade representativa do destino, se relacionando com todas as diferentes marcas de forma harmoniosa.

Antiga Arquitetura de Marca

Nova Arquitetura de Marca


Dois anos de trabalho resultaram em um projeto de Branding que responde com sucesso aos objetivos de business do Beach Park. Foi desenvolvida uma marca única, de força, que será adotada em todo universo de públicos da empresa. Um marco em minha carreira e mais uma prova de que o Branding visa além de uma reforma visual de marcas, a conquista de uma identidade, uma personalidade que conversa com o consumidor, que promove experiência, que cria uma cultura. Agradeço a oportunidade de participar de um projeto de tamanho porte e excelência. Que venham os próximos!


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Marca: A estrela da campanha

Artigo publicado no site Fala Fil, no dia 3 de setembro de 2013.


Estou aqui para dar uma notícia que, como todos sabem, já morreu de velha: os tempos mudaram meu amigo!
Desde as décadas de 70 e 80, tempos onde a publicidade viveu seu auge no Brasil, o uso de celebridades foi considerado uma ferramenta xuxaeficiente, usada por agências e anunciantes em várias categorias de produtos e serviços, inclusive no setor de medicamentos. Exemplo maior não pode haver que todas as Marcas da antiga Dorsay: Doril e Monange, dentre outras.
O século XXI abriu caminho para uma nova forma de consumo não só de produtos e serviços, mas de conteúdo e mensagens. A homogeneização de produtos, o advento de novas mídias, a dispersão da atenção, um consumidor mais exigente, enfim! Tudo o que tem sido mencionado à exaustão, está sendo vivido na pele de quem está ramo.
Ainda assim, fórmulas antigas e perigosas continuam sendo usadas. É o caso do endosso por celebridades, que facilmente se torna um vício. Traz momentos de alegria e prazer, mas não constrói marcas sólidas.  Existem muitos casos por aí onde a falta de criatividade e estratégia para atrair a atenção do consumidor resulta em “tapar buracos” com uma celebridade.
Uma pesquisa realizada em 2012 aponta o potencial das celebridades em alavancar marcas e o consumo, e nos diz que campanhas que utilizam celebridades aumentaram o recall em 15% em média. Sem dúvida há um aumento de atenção e lembrança da mensagem, mas a troco de que? Não foi a marca a responsável por isso, não foi ela que conquistou essa atenção, o aumento de recall foi comprado e não foi barato! Quanto isso resultaria se virasse mais investimentos em mídia e numa mensagem proprietária?
size_590_sandy-devassaAlém disso, depender da celebridade é estar atrelada a ela em bons e maus lençóis da sua carreira e vida pessoal, como visto no caso do Ronaldo ex-fenômeno, apenas para citar um. Alguém calcula esse risco na hora de contratar uma celebridade que é um simples mortal? Há também a prática comum de celebridades que endossam vários produtos, confundindo o consumidor e o fã, e resultando em perda de credibilidade para ambas as partes. Por fim, há o caso onde a celebridade de maneira alguma convence que utiliza o produto que anuncia, o que pode gerar uma boa polêmica:
Na visão do Branding, a protagonista de qualquer comunicação é sempre a marca, suas ideias, seus valores e suas propostas. Ela deve ter personalidade própria, ser forte o suficiente para encantar e conquistar o consumidor. O Branding não combina com o uso de celebridades e, na verdade, não é uma ferramenta que se procura usar. Não no papel de comunicadores da Marca. É muito diferente de usa-los como embaixador.
As celebridades são também brandings pessoais, com suas características próprias e com sua força! De acordo com a pesquisa citada acima, 72% das brasileiras são envolvidas com o universo de celebridades. Dito isso, é muito provável que o envolvimento esperado não ocorra com sua marca, mas com a atraente muleta da celebridade em que você está se apoiando. Afinal, quem você quer que brilhe em sua comunicação?
Por Luis Grottera

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Publicis Omnicom. Mitos e Realidade.

A fusão dos grupos Omnicom e Publicis continuará sendo motivo de muita conversa e matérias jornalísticas. Boa parte delas desinformadas e sem uma visão de negócios mais profunda, o que acaba gerando mitos e preconceitos. Vou descrever alguns deles:

1) ... de que isso é uma boa notícia pra publicidade. NÃO É! A estratégia de consolidação de negócios na área de publicidade é assunto de CFOs/Diretores Financeiros. Não tem nada a ver com a publicidade, boas campanhas, etc. Market share pra os executivos desses grupos é o de seus grupos no bolo da comunicação, nada a ver com o de seus clientes. Se eles tivessem no mercado de produzir pregos ou fast food, seria a mesma coisa. A idéia central é aumentar faturamento X diminuir despesa. Se algum objetivo além desse tem, é atrapalhar a vida do fofo do Martin Sorrel (WPP), que inventou essa estratégia;

2) ... de que essa consolidação gera maior chance de troca de informações de empresas/clientes concorrentes. BOBAGEM ABSOLUTA. Por que as agências fariam isso? Para fazer seu cliente, que lhe dá as verbas, se dar mal no mercado e o concorrente se dar bem??? Por que o CEO da agência A do novo grupo ajudaria o CEO da agência B se ambos, na pessoa física, são concorrentes para crescer na hierarquia do grupo? A espionagem empresarial sempre existiu e vai continuar existindo. É muito mais fácil um Executivo passar uma informação importante para o concorrente num happy hour ou mesmo por interesses pessoais;

3) ... de que a soma de Omnicom e Publicis tem a ver com a presença do Google e do Facebook no mercado da comunicação. INVENÇÃO DE JORNALISTA. Qualquer um desses grupos isoladamente tem força para criar empresas, projetos e metodologias que pudessem convencer os clientes de que elas, agências, é que devem administrar e criar para essas novas mídias. Não vai ser somando um grupo de agências que vão conseguir isso. Precisava era ter tesão, disposição, vontade de refazer, mudar comportamentos, entender o novo mundo e a novíssima economia. Mas é muito mais confortável continuar tirando leite da vaca que está a disposição.

4) ... de que com a nova estruturação as agências serão mais competentes. MENTIRA. Globalmente as agências foram cases empresariais de grande sucesso na 2a metade do século passado. Na época, cada uma tinha uma filosofia de trabalho, métodos de como solucionar problemas, estilo de abordagem ao consumidor. Com as consolidações deixaram de ter uma unique selling proposition. Seus mentores se afastaram (ou foram afastados, porque atrapalhavam o processo financeiro de curto prazo) e foram substituídos por planilhas e um radical comando financeiro. Tudo isso solidamente apoiado pelas empresas que são os clientes das agências. Na sua epopéia por reduzir remuneração, reduziram quase tudo a um nada. Os processos de concorrência para se entregar uma conta de publicidade são de uma pobreza profissional e intelectual de dar pena. E é global.

Esse é o pano de fundo da situação global da publicidade. Velho, esclerosado e com um muro a frente. Não oferecem soluções ou opções consistentes a um mercado que está mudando de estrutura e necessidades na velocidade da luz.

Por fim, conto uma história pessoal, de começou mais de 10 anos atrás, para ver como pensam esses senhores: eu e meus sócios da Grottera, vendemos 40% da agência para TBWA\ em 2002. No Brasil, a Grottera ocupava a 25o. posição no ranking e a TBWA\ a 78o. Em 2006 já estávamos em 16o. e crescendo, quando fui informado pelo Presidente Global que ele havia recebido uma instrução da holding (Omnicom) que a TBWA\ tinha que ser uma das 10 maiores no Brasil. Me ofereceram os 40% de volta. Eu queria sair do setor e não aceitei. Compraram os 60% que faltava da agência e compraram a Lew,Lara. Com as duas operações gastaram um puta grana. Resultado: nunca ocuparam as 10 primeiras posições e agora, pelo que diz o gráfico abaixo, estão em 28o. E o Presidente Global? Perdeu o emprego? Que nada, continua surfando nas ondas da Madison.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Artigo publicado no site Fala Fil , no dia 18 de abril


Paguei 4x mais caro por um produto. Você também.
Mal saímos da festa de réveillon, sambamos o carnaval, e já até passamos a Páscoa! Época dos simpáticos coelhos que botam ovos – e que ovos!
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, o brasileiro consome cerca de 2,2kg de chocolate por ano. À primeira impressão, o número parece expressivo. Mas, se olharmos para fora, nós ainda temos uma boa cota para degustar: na Alemanha, a média é de DOZE quilos por pessoa.
Tudo indica que o mercado tem bastante espaço por aqui.
Em 2012 foram vendidos 80 MILHÕES de ovos. A maioria, apela para licenciamentos para seduzir as crianças. Carrosel, Angry Birds, Turma da Mônica.. Tudo vale na hora de seduzir. A Kopenhagen lançou neste ano um ovo de ‘tiragem limitada’, cravejado de jóias sofisticadas para comemorar os 85 anos da marca.
Olhando do ponto de vista do mundo do business, acho que vale a pena voltar a atenção para outro aspecto: o quanto a mais cada um de nós paga por um ovo de páscoa? Uma barra de chocolate da marca X, de 170g custa, em média, 5 reais. E quanto custa um ovo, também da marca X, também de 170g? 20 reais! Nós pagamos 4x mais pela mesma quantidade do mesmo produto.
O fator preço é decisivo para os negócios. E, como tudo na vida, há vários lados da questão. Imagino que existam pelo menos 3 variáveis que encareçam a produção: 1o A fabricação dos tabletes é rotineira e mais eficaz do que a dos ovos de páscoa; 2o A distribuição também é menos onerosa e mais eficiente; e 3o Os gastos com marketing e licenciamento nessa época do ano geram custos altos. Esses fatores poderiam explicar um preço um pouco mais alto – mas não justificam cobrar 4 vezes mais.
_CapturaEssa informação rodou as redes sociais. E, mesmo assim, quase todos nós pagamos pelos ovos de ouro. A grande pergunta é: por que o consumidor está disposto a pagar esse preço?
A explicação é Branding!
A verdade é que na Novíssima Economia que vivemos, o produto em si é menos importante do que aquilo que se cria no entorno dele.
O chocolate é o mesmo; a embalagem, em termos de qualidade e preservação, é a mesma; o canal de distribuição é o mesmo, e a própria Marca que sustenta a oferta é a mesma. Então por que pagar 4 vezes mais? Simples: porque uma barra de chocolate é uma coisa e um ovo de páscoa é outra! Os sonhos, os desejos, o momento, a circunstância, o sentimento relacionado a cada um deles… tudo é diferente!
Na Páscoa, as pessoas não querem só comer um chocolate. Querem o ícone, o coelho, e todo o imaginário que vem junto nessa época do ano. O preço não é definitivo. Ele se ajusta ao tamanho do sonho que carrega e da história que conta. E a experiência no ovo de páscoa vale 4 vezes mais do que uma barra de chocolate.
Esse é um case prova por a + b que o Branding é a alma do negócio. O consumidor é completamente suscetível a boas histórias – e cabe às marcas saberem contá-las.
por Luis Grottera

segunda-feira, 25 de março de 2013

Caso Ades


‘Falem bem ou falem mal, mas falem de mim’. Apesar de muitos ainda adotarem esse bordão, para as Marcas, ele não funciona.

Nessa semana só se ouvir falar da Ades, a bebida a base de soja da gigante Unilever. Uma excelente Marca de excelentes produtos.

O problema veio a tona através de um simples comunicado da empresa, tentando não chamar atenção, pedindo o recall de 96 embalagens de um lote específico de produtos, distribuídos nos estados de Paraná e Santa Catarina. Foi detectado a presença de soda cáustica em uma parte da linha de produção, nas embalagens de sabor maçã.

A partir daí a notícia ganhou dimensão, foi pra mídia e explodiu nas redes sociais. E começaram as decisões que só amplificaram o problema: A Anvisa – uma entidade quase sempre meio histérica - determinou a suspensão de uma série de sabores e embalagens desse produto. Supermercados tiraram das prateleiras TODOS os produtos Ades – e alguns eliminaram todos sucos de caixinha. Consumidores mal informados começaram a gritar reclamando do produto estar a venda.  Tudo pronto para um circo de horror.



Daí a iniciar um processo  de escrachar a Marca nas redes sociais é um pulo. “Ades serve como antiácido?”, “Minha mãe gostou bastante do novo Ades Limpeza Pesada”, “Devo dar um copo de Ades para meus inimigos?” são algumas das centenas de mensagens na página oficial Ades no Facebook.

Sátiras publicadas, como a da Bruxa Perversa oferecendo uma caixinha de suco Ades no lugar da maçã envenenada para Branca de Neve, são de um alto poder de destruição da Marca.

Tomara que a empresa descubra a causa do acidente e consiga recuperar a relação de confiança que essa Marca já gozava junto ao consumidor.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Rebranding na Igreja


A questão da escolha do novo Papa já foi abordada pelos mais variados aspectos.

Vamos tratar do assunto sobre uma ótica diferenciada: a visão do mundo dos negócios (Espero que os católicos mais fervorosos não fiquem bravos comigo).

O Catolicismo é a religião que tem o meu respeito - e que é uma questão de fórum intimo. O Vaticano é um Estado. Rico. Um dos maiores proprietários de terrenos em cidades do mundo inteiro. E é sobre ele que vamos falar.

Como qualquer país, o Vaticano deve ser comandado como um business - e o fato é que esse negócio vem dando repetidos sinais de estar em crise. Tanto o número de seguidores, como a captação financeira que a Igreja obtém com esses seguidores, vêm caindo nos últimos anos.

Numa linguagem puramente comercial, a Igreja é um produto que precisa de um reposicionamento  (ou rebranding), que a faça recuperar o prestígio e a receita, que vem minguando nos cofres do Vaticano.

Esse é mais um contexto em que está inserida a escolha do novo Papa, o argentino Jorge Mario (Papa Francisco). A escolha do 1o Papa da América já foi um bom começo - a surpresa, em si, já é uma forma de se destacar. Também, a escolha de um cardeal oriundo dos jesuítas é inovadora e sintonizada com os novos tempos, no qual a riqueza ostentada em reluzentes objetos dourados perdem força e valor, passando a ganhar as referências que apelam diretamente aos fatores humanitários e ecológicos. E, para finalizar, um golaço de branding: A escolha do nome: Francisco. Verdadeiramente, uma Marca.



Encerro aqui com uma frase do artigo de Nizan Guanaes, na Folha de São Paulo de ontem: “Francisco quer dizer coma moderadamente num mundo obeso. Francisco quer dizer beba com alegria num mundo que enfia a cara no poste. Francisco quer dizer consumo responsável em sociedades de governos e consumidores endividados. Francisco quer dizer o uso responsável do irmão ar, do irmão mar, do irmão vento e de todas as riquezas debaixo do irmão Sol e da irmã Lua”

Enfim uma estratégia de grande eficácia, e que prova a força que pode ter no mundo de hoje uma única palavra - desde que ela seja bússola de todas as decisões que sejam tomadas a partir daí.

terça-feira, 12 de março de 2013

Refrigerantes na Mira


Na década de 1920, nos Estados Unidos, foi sancionada uma lei federal que proibia a produção, transporte e venda de bebidas alcóolicas. 10 anos depois, a famosa Lei Seca caiu por terra quando as cidades viram o surgimento de uma série de bares clandestinos e as fortunas movimentadas pela máfia. Al Capone surgiu nessa época. Igualzinho o que está ocorrendo com guerra contra as drogas, que enriquece os distribuidores ilegais, faz a polícia perder o foco e não diminui o consumo.

Para ‘limpar’ sua imagem, na época, algumas empresas de bebida acharam de bom tom criar anúncios incentivando que seu produto fosse consumido com responsabilidade. Atualmente, são obrigados a adotar o famoso ‘aprecie com moderação’ em qualquer propaganda alcóolica.
Hoje, o mercado é bastante regulado – e o álcool está liberado. Mas agora é outro tipo de indústria que vem sofrendo pressão: a dos outrora ingênuos refrigerantes.
Temida pelas mães, idolatrada pelas crianças, a familiar bebida colorida e altamente açucarada está vendo o cerco se fechar. A razão é a taxa de obesidade, que está batendo recordes pelo mundo, inclusive no Brasil. 
Segundo um estudo do Ministério da Saúde, divulgado em abril do ano passado, cerca de 16% dos brasileiros estão obesos. Isso são 30 milhões de pessoas! Nos Estados Unidos, o número corresponde a 1/3 da população. 

Por lá, a guerra já começou: Em NY está proibido vender refrigerantes em tamanho grande, e a própria Coca-Cola já lançou anúncios que mostram a quantidade de calorias de cada produto.
Como somos conhecidos por importar a cultura norte-americana, é de se esperar que já já a inquisição chegue para os refrigerantes tupiniquins – e as empresas devem estar preparadas.
A pipoca com guaraná pode estar com os dias contados.