sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um guerra do mundo dos negócios do século XXI

Regras são regras. Foram feitas para serem seguidas. Porém, no mundo dos negócios nem sempre seguir a regra é a melhor solução. As vezes, ganham aqueles que derrubam as lógicas.

No dia 8 de Maio, uma loja do badaladíssimo bairro do SOHO em Nova York, de um dos maiores estilistas do mundo, o Marc Jacobs, amanheceu pichada com a palavra ARTE, ocupando toda frente da loja. Como se dissesse menos moda e mais arte.


Ao invés da empresa sair pela rua gritando “morte aos grafiteiros”, Jacobs publica no seu twitter a foto da fachada pichada e diz “Arte por Arte Jacobs”. O estilista assumiu aquilo como se fosse dele.

Nesse momento o grafiteiro francês que usa o nome de Kidult publica no twitter: “Eu fiz alguma ARTE?” com a foto dele pichando.

Jacobs revida colocando foto no Instagram, com um design elaborado, só com o seu nome na parede e a pichação cortando a Marca. Como se dissesse: a arte é minha. Se não fosse meu nome, não haveria arte nenhuma nessa pichação.

O pichador percebe que está perdendo a guerra e publica “Jacob X Kidult”.
No fim do dia, Jacobs lança uma camiseta com a foto da fachada pichada impressa por um preço de mais de mil reais.
Kidult enlouquece com a idéia e responde irado: bandido burguês.

No dia seguinte o pichador publica que estará a venda a sua camiseta sobre o fato, por menos de 100 reais.

Uma guerra do mundo moderno. O estilista soube aproveitar a situação e ganhou com a sua fachada pichada. É o tradicional se ganhou um limão, faça uma limonada.



ps.: veja todas as fotos no blog do Diretor de Redação da VIP, Ricardo Lombardi, de ontem tirei essa história genial http://vip.abril.com.br/blogs/diretoria/2012/05/15/marc-jacobs-versus-kidult-uma-guerra-de-marketing/

quarta-feira, 13 de junho de 2012

YOKI: quem vai pagar pelo prejuízo de mais um massacre da mídia?

Hoje vamos contar uma história de sucesso de uma empresa e de sua Marca. E de como na economia moderna uma única crise pode colocar tudo a perder, especialmente se você leva uma trombada dos veículos de comunicação que coloca toda sua história no penico!

O Sr Yoshiro Kitano chegou ao Brasil vindo do Japão no ano de 1960. Nesse mesmo ano inicia a fabricação de cereais e farináceos com a marca Kitano, do seu sobrenome. Depois vieram as especiarias, os temperos e os chás. 30 anos depois, muda seu nome e passa a se utilizar da Marca YOKI.

A empresa continua sendo bem sucedida, apesar de conflitos na sucessão empresarial já nas segunda e terceira gerações. Como forma de solucionar a questão, a família proprietária decide vender. Seu faturamento era de R$ 1,1 bilhão.

Em fevereiro foi anunciada a compra da YOKI por R$ 2 bilhões pela General Mills, dona da Hagen Dazs. Uma boa parte (entre 25 e 75%) desse preço é para pagar o valor da Marca, afinal existem milhões de brasileiros que reconhecem no nome YOKI uma indicação de produtos de qualidade, saborosos, de confiança, entre outros. Foram décadas de trabalho e investimentos para se criar esse Brand Equity.

Na semana que o negócio ia ser assinado, ocorre um crime na cidade de São Paulo. Uma mulher mata e esquarteja o seu marido infiel. Tirando o fato de ter sido esquartejado, uma boçalidade dessa proporção já virou comum no Brasil.

Ocorre que o assassinado trabalhava, como qualquer cidadão normal. Era neto do Yoshiro fundador da YOKI e diretor da empresa. A Marca nada tem a ver com o crime. Não ocorreu na fábrica. A assassina não era funcionária. O motivo do crime não foi comercial.

Mas decidiram os jornalistas ligar as 2 coisas. E os veículos de comunicação passaram 7 dias detonando a marca YOKI usando em todos os tipos de mídia um nome que significa qualidade em alimentação. Não há nenhum fator relevante do ponto de vista jornalístico que justifique isso. Apenas a intenção de aumentar a dramaticidade da notícia.

A repercussão do tratamento da mídia explodiu nas redes sociais, com a reprodução de centenas piadas de péssimo gosto sobre o assassinato, sobre a YOKI e seus produtos.

A pergunta é: quem vai pagar essa conta? Que direito tem a mídia de fazer um massacre dessas proporções? Teria a família proprietária da Marca o direito de acionar as empresas de comunicação? Eu não tenho nenhuma informação sobre as negociações, mas pela lógica do mundo dos negócios é razoável que a venda não se concretize ou que pelo menos tenha uma significativa redução nos preços. Podemos estar falando de um prejuízo na casa dos R$ 500 milhões.

Não tenho dúvida que esse será um tema empresarial e jurídico da maior relevância nos próximos anos. Na minha opinião os veículos de comunicação estão errados e deveriam ser penalizados financeiramente por essa atitude. Melhor ainda: deveriam incluir essa questão nos seus Códigos de Ética para evitar novos absurdos do mesmo estilo.

domingo, 10 de junho de 2012

O consumo da 3a idade cresce no Brasil

O Brasil é país de gente jovem! Essa frase você já ouviu algumas dezenas de vezes. Porém é uma verdade que vai perdendo força.

A pirâmide da faixa etária brasileira está se adaptando às médias internacionais e, pouco a pouco, aquele enorme concentração que tínhamos nas pessoas com menos de 20 anos vai se diluindo e começa surgir uma faixa de consumidores com mais de 60 anos da maior importância e com a qual o mundo dos negócios brasileiros não tem grande habilidade e conhecimento.

Segundo o IBGE, essa faixa já movimenta R$ 400 bilhões de reais por ano. Esse valor é equivalente ao PIB da Irlanda e cresceu a barbaridade taxa de 45% em apenas 5 anos.
A Folha desse domingo traz uma excelente matéria destacando os principais erros que o varejo comete ao fazer negócio com esse público.

Alguns cuidados que você deve ter estão ligados às limitações próprias do idoso. Não tenha pressa para fazer a venda, tenha paciência para esclarecer dúvidas, não coloque produtos no 2o andar, não use letras miúdas que dá a impressão de que há enganação.

Mas também não se esqueça de ter atenção especial com as características psicológicas do segmento de público. Por exemplo, não coloque pessoas claramente da mesma idade para para atende-los, não defina seções ou produtos como de 3a idade. No fundo, o idoso não gosta de ser tratado como idoso.

Fique atento a esse mercado. Já são 14 milhões de pessoas no Brasil e representam mais de 7% da população do país. No futuro, muitas Marcas estarão segmentadas para esse nicho de mercado.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

COPA: revolução no futebol Brasileiro?

A Copa do Mundo de 2014 terá vários impactos no Brasil. Um deles é a pressão que vai gerar em todo o mundo do futebol brasileiro.

O nível de profissionalismo e de investimentos que um evento desse porte deixa no setor, acaba por exigir da administração dos clubes uma nova conduta. Meia dúzia de times que comecem a adotar medidas com competência administrativa, já são suficientes para começar uma revolução no futebol.

Parece uma heresia para os apaixonados que amam discutir jogadores e criticar técnicos, mas o fato é que nada acontece com os clubes enquanto não adotarem eficácia profissional na sua gestão.

Prestem atenção nos detalhes e avalie a performance do Santos, do Corinthians, do Internacional, exemplos entre os que se destacam e ganham mais espaço em função da boa administração e que, em compensação veja o futebol do Rio, que continua vivendo só de ciclos e momentos, ou o Palmeiras não se acerta há anos fruto da péssima conduta de seus dirigentes.

O São Paulo é um ótimo exemplo. Viveu um momento de glória na década de 90 e até os primeiros anos do novo século. Mas deixou de ser um time de ponta quando a administração saiu dos trilhos e vive uma fase de culto a personalidade na sua presidência.

Torcedores, se quiserem que seus times ganhem campeonatos, discutam menos os craques e mais os dirigentes. Com certeza é mais chato, mas é muito mais eficiente.

Mas os times não faturam muito pouco?

A falta de dinheiro, eterna desculpa de dirigentes incompetentes, já não cola mais. Segundo a consultoria BDO, o faturamento dos 20 maiores clubes brasileiros cresceu 27% em 2011. Estamos falando de um valor 2 bilhões de reais só nesse grupo.

Trata-se de um valor de grande significado econômico, o que torna cada vez mais importante que associados e torcedores dos clubes de futebol tenham participação direta e objetiva sobre a administração desses valores. É preciso mais: fiscalizar mesmo, afinal no Brasil os clubes não são propriedade privada de ninguém. Portanto é de todos.

Quem vota para definir o administrador do clube?

Uma importante constatação sobre esse aspecto tem a ver com qual a origem desse faturamento. Apenas 13% do total do valor vem da atividades sociais do clube. 87% tem origem nas atividades do Departamento de Futebol.

Aqui há flagrante equívoco na estrutura entre a entrada do dinheiro e a divisão do poder dentro dos clubes de futebol. Quem decide e vota a diretoria do clube são apenas os associados, uma quantidade ínfima em relação ao de torcedores.

Vamos aos números. A torcida dos grandes times de futebol de SP conta-se em milhões de pessoas. Entre 15 e 30 milhões para cada. O número de associados dos clubes varia entre 30 e 40 mil pessoas. Mas desses, com direito a voto, o número reduz para 10 a 15 mil. E normalmente a eleição acaba tendo a presença de 3 a 5 mil. Ou seja, pra cada 10 mil torcedores, apenas 1 vota. O que é ridículo!

A quem interessa isso? Exclusivamente aqueles que querem se perpetuar no poder na direção dos clubes e administrando milhões de reais que não lhe pertencem.

A solução para isso é a imediata adoção do sistema de Sócio-Torcedor com direito a voto, ou seja, pessoas que pagam para se associar ao clube, pagam pouco, porque não tem direito ao uso das dependências sociais do clube, mas que tem direito a participar dos destinos políticos do clube, pois votam pra diretoria e pro presidente.

E como vai a performance econômica dos principais times?

O primeiro destaque a se fazer tem a ver com a dívida dos clubes. Apesar do aumento de faturamento geral, todos os clubes continuam sendo administrados de forma irresponsável. Tecnicamente falando, boa parte está e situação falimentar.

O Corinthians continuam dando um passeio. Seu faturamento é de quase 300 milhões de reais por ano, com um crescimento de 37% sobre 2010. Os direitos de imagem negociados com a TV representam quase 40% dessa receita. Apesar da brilhante gestão na área de marketing, sua dívida é de quase 60% da receita e cresceu 46%.

O segundo é o São Paulo, com 230 milhões de faturamento. Um crescimento bem inferior ao do Corinthians, 16% e uma dívida com um crescimento megalomaníaco de 68%. Um dado interessante, é a boa administração que o clube faz do Morumbi, que sozinho significa 18% do dinheiro do clube.

Internacional, que vem se destacando, é o 3o colocado, Santos é o 4o e também o único que reduziu sua dívida em 2011, Flamengo é o 5o lugar em faturamento, mas com uma dívida que é o dobro da receita. O Palmeiras, meu time do coração, está ladeira abaixo também no dinheiro. Caiu 2 posições e está em 6o lugar.

Como qualquer empresa do mundo, essas indicações da situação econômica dos clubes têm reflexo direto naquilo que produzem. Times mais ricos, com maior faturamento e boa administração têm mais chance de pagar, contratar e estimular seus atletas e comissão técnica. Por isso torcedor apaixonado que me ouve, se vc quer mais vitórias e conquistas esportivas, tenha atenção com a administração do clube.

Essa não é parte gostosa de torcer para o futebol, mas é mais decisiva do que xingar a mãe do juiz ou pedir a cabeça do técnico.





PS.: minha eterna homenagem a logomarca da Copa 2014, um péssimo exemplo do que o design tupiniquim pode produzir.




PS2.: 1 hora depois desse post, recebi um mail de um dos mais brilhantes dirigentes do futebol brasileiro (sim, eles existem. poucos é verdade...), afirmando: "Só um reparo: Botafogo e Fluminense tem gestões impecáveis, tanto o Mauricio como o Peter são de primeira."

domingo, 6 de maio de 2012

Burocracia, um câncer que virou oportunidade.

O mundo dos negócios tem características peculiares. Há sempre alguém pronto a aproveitar uma oportunidade para ganhar dinheiro.

O excesso de burocracia é um câncer para a nossa economia. Na pesquisa desse ano do Banco Mundial sobre o tema, o país ocupou a vergonhosa posição de nº 129, atrás de nações bem menos desenvolvidas, como a Nicarágua. Já o México – país com PIB e condição de desenvolvimento semelhantes aos nossos – ficou na posição 51, superando o Brasil em todos os tópicos analisados.

O custo dessa burocracia não é só o que cada empresa paga de impostos e taxas. É tudo tão mal feito, mal planejado e sem lógica, que empresas grandes mantém departamentos de até 15 pessoas, exclusivamente para cuidar desse tema. É o famoso caso de se criar dificuldades, para por baixo dos panos, se vender facilidades.

Pronto! Este cenário é perfeito para uma nova oportunidade de negócios. Há 70 empresas no Brasil que tem como função exclusivamente arquivar documentos das empresas. Elas somam 1,2 bilhão de reais em faturamento. Atenção: eu falei bilhão!

Só em SP essas empresas armazenam 15 milhões de caixas, dos quais 90% nunca serão requisitados por ninguém.

Está aí uma prova definitiva de que no mundo dos negócios, aonde houver um limão, há sempre chance de se fazer uma limonada.



ps.: foto de uma ótima matéria de VEJA: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/burocracia-excessiva-impoe-perdas-as-empresas-no-brasil

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Josephine, um caso de BRANDING.

Na Vejinha me deparei com uma matéria cujo título era “Quem ficará com Josephine?”. De cara pensei que fosse mais uma pentelha, com a tal da Luiza que estudava no Canadá. Não era.

Tratava-se de uma questão interessante. O proprietário de um restaurante em Moema de nome Josephine está muito bravo com outra pessoa,
que abriu uma balada no Itaim usando o nome ... Josephine.
E isso rendeu uma ação judicial.


Segundo a matéria, o dono da Josephine restaurante enlouqueceu porque o veridito da justiça definiu que a balada não prejudica o restaurante.

Não precisa se dizer que o criador original do nome enlouqueceu.
Mas do meu ponto de vista, ele está equivocado.

Primeiro porque uma marca se registra.
Se vc quiser que sua marca não seja copiada por ninguém na sua categoria de mercado,
vc paga por isso. Porém se for para todas as categorias de mercado, paga muito mais.

O dono do restaurante não pagou.
Mas queria levar a exclusividade a partir de conceitos de branding.
Raciocina ele que seu negócio poderia ser prejudicado se por exemplo acontecesse algo de grave na Josephine da balada.

Pensar assim é um erro de branding. O mesmo nome, escrito de forma diferente, cor e símbolos diferentes e numa outra categoria, cada um com sua essência, valores e visão formam uma MARCA única e exclusiva, com resultados não comparáveis.

E é isso que faz a diferença. Nessa ... o juiz marcou um gol!



ps.: Exibidas nesse texto as duas marcas. Analise como são implicitamente diferentes e remetem a valores completamente distintas.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

A indústria é vital para o Brasil?

É impossível não tratar do pacote de ajuda à Indústria divulgado pelo Governo ontem, 3 de abril. Com pompa, nossos economistas no poder divulgam que a ajuda a esse setor será de 60 bilhões de reais.

E o pior é que os favorecidos por essa bilionária ajuda não ficaram muito satisfeitos. O que é dramático. Esses 60 bilhões saem do bolso de todos nós. E será dirigido a beneficiar setores determinados, escolhidos por 2 ou 3 dúzias de iluminados do Governo.

A primeira questão que deveríamos discutir deveria ser sobre a indústria propriamente dita. De acordo com dados das Nações Unidas, em artigo do jornal O Globo, a queda da participação do setor de manufaturas no PIB é um fenômeno global. Assim, de 1970 a 2010 esta queda foi de de 27% para 16% no mundo inteiro. No Brasil de 24,5% para 13,5%, nos EUA de 22% para 13% e até na Alemanha, paradigma da indústria global, caiu de de 31,5% para 18,7%.

Não seria o caso da sociedade brasileira debater por que esse setor tem a importância que está sendo dada pelo Governo? No passado ... e bota passado nisso, pós revolução industrial, a Agricultura entrou em desgraça e seus empresários choraram lágrimas de crocodilo, mas a vida seguiu e se desenhou com outros formatos.
A Indústria era vital como forma de absorver a mão de obra. Agora as lágrimas rolam nos olhos dos industriais. Mas será que ela será tão vital assim? Será que o Brasil potência não teria um futuro mais dinâmico, moderno e justo se o Governo focasse em melhorar as condições gerais da economia, dando ainda mais força para a Agricultura e para os Serviços? Não é a área de Serviços que efetivamente tem a melhor performance de empregos no país?

Será que nossos economistas de plantão e todos aqueles que falam sobre o assunto na nossa mídia não conseguem sair da pauta definida pelo Governo?



ps.: recomendo a leitura do artigo "Desindustrialização ou lobby", publicado em O Globo, de autoria do João Luiz Mauad, administrador de empresas formado pela FGV-RJ e consultor de empresas. http://www.ordemlivre.org/2012/03/desindustrializacao-ou-lobby/

quinta-feira, 29 de março de 2012

Torcidas uniformizadas: um péssimo negócio para o branding dos clubes de futebol.

O tema do Marketear de hoje é ruim. Quero falar dessa tristeza que são as torcidas uniformizadas.

Se essas pessoas fossem de fato torcedoras de futebol e se amassem seus times, jamais fariam o que fazem.

A cada crise gerada pelo comportamento pré-histórico desses elementos, seus queridos clubes perdem milhões de reais no caixa. E como não pode haver dúvida, nem para o mais desinformado dos torcedores, o futebol é uma paixão, mas que não consegue nada se não tiver amparada por dinheiro e uma competente administração.

A receita de um clube de futebol se divide em 3 grandes blocos. São eles o match day ou dia do jogo, os direitos negociados com as tvs e a venda de produtos.

Guerras entre torcidas com morte de pessoas geram crises de imagem na Marca dos clubes e isso afeta o faturamento alcançado, seja na menor presença no estádio e seja com a queda de venda de produtos.

Cansei de ler nas redes sociais, torcedores do bem, que representam 99% das pessoas que amam Palmeiras e Corinthians, dizendo que não vão ter coragem de colocar suas camisas oficiais e saírem pela rua.

Portanto, também do ponto de vista dos negócios, essas uniformizadas precisam ser banidas da sociedade. É caso de polícia, não de futebol.

Se fosse por paixão aos clubes, essas minorias deveriam dirigir sua fúria contra aqueles que mal administram esses clubes. Diante de qualquer malfeito com o dinheiro que deveria estar proporcionando investimentos em craques, deveriam usar sua força, não física mas política, para fazerem faxinas nas organizações.

Se nunca lutaram contra tantos fichas sujas que passaram pelas administração dos seus times, certamente é porque têm seus rabos presos com a corrupção.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval no Rio. O melhor. Mas falta muito.

Eu estava entre aqueles que achava que o Brizola pós os anos de exílio era um homem decadente e antiquado. Meu único ponto de admiração por suas idéias, era quando dizia que a educação era um caminho obrigatório e revolucionário para o Brasil. Mesmo assim, discordava de sua prática. Ele optou por fazer prédios e pra mim o problema maior e mais importante está no lado do recurso humano, o professor.

Lembro-me quando ele começou a falar em construir o Sambódromo no Rio, em 1983. Parecia um absurdo. Como assim, construir um mastodonte, no meio da cidade, que terá uso apenas 2 dias por ano? A mídia defendia essa tese. Eu comprei por completo.

Estava totalmente errado. Com a capacidade de receber 72 mil pessoas, o Sambódromo da Marquês de Sapucai não só foi um sucesso, como foi clonado país afora.

É claro que um evento que vai trazer 850 mil turistas e que vai movimentar 630 milhões de dólares só no estado do Rio, merece uma catedral, um símbolo, uma Marca.

Essa performance econômica trará ganhos para os setores de hospedagem, gastronomia, bebidas, turismo, transportes, eventos culturais e também, democraticamente, vai encher as carteiras dos flanelinhas, massagistas, traficantes, vendedores de bijuterias e por aí vai.

A indústria do turismo tem a muito a crescer e se aprimorar no Brasil. O carnaval é um ótimo exemplo que temos as condições pra isso. Mas Pra melhorar, será preciso muito mais planejamento, trabalho e criatividade das autoridades do governo e do setor.

O carnaval do Rio e da Bahia são dois bons exemplos de profissionalismo no setor. Mas ainda falta muito. Especialmente do ponto de vista de BRANDING. Falta conceito. São love brands por definição, mas por não trabalharem o conceito de Marca, deixam de perpetuar e transcender no sucesso.

Você que me leu até aqui, pode estar imaginando que eu viajo na maionese com essa história de branding. Eu te pergunto: sabe quantos milhões de dólares o Rio não deixou de vender de souvenir, apenas porque não tem uma Marca? Agora multiplique esse valor não faturado por pelo menos os últimos 20 anos.


ps.: Googlei "Marca Carnaval do Rio" em imagens. Nada aparece. Ou melhor: apareceu DEVASSA e BRAHMA pra caramba. Quem ganha com isso é a Globo. O Branding do Carnaval do Rio é quase que totalmente capitalizado a seu favor.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

São Paulo, mega cidade do mundo. Não pode ter o branding que tem.

O tema São Paulo tratado com dois enfoques.

Uma visão da cidade. E os impactos disso do mercado imobiliário da cidade. Ouça no soundcloud o Marketear por LG na Rádio Bandeirantes, boletim de 2 minutos no Bandeirantes Gente.

Aproveitando, segue um post sobre o novo Branding da cidade de São Paulo, de autoria da Consultora da BRANDIA CENTRAL no Brasil, Fernanda Grottera.

PLACEBRANDING DE SÃO PAULO NÃO PODE SER AMADOR!
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De cara, quando vi pela primeira vez, o logo me pareceu infantil demais, festeiro demais (cores e tipologia) e a marca, o conceito por detrás do logo não resolvido. Não vi um estudo de conceito. E recebi a idéia de criar algo além do cinza dos prédios muito legal mas, senti que pecou por nenhuma tradução da seriedade e profissionalismo que São Paulo tıem em seu DNA. Senti falta da consistência do concreto e da rica arquitetura da cidade.

Quando vi o evento de lançamento da marca, me senti na entrada de um buffet infantil, não na apresentação da marca de uma cidade com as dimensões de São Paulo. É a principal cidade do Brasil, é o firmamento - mesmo para fins de eventos e turismo, precisamos levar em consideração, a importância e seriedade que a economia de SP representa.

Analisando os detalhes técnicos do logo em si, encontro dificuldade de produção e aplicações, no PB esse logo não funciona (numa escala de cinza funciona), o 'P' não dá para enxergar direito, a falta de hierarquia entre texto e símbolo - dando a impressão de bagunça, o desenho do logo é bem anos 80 - o que pode ter seu charme. Mas, não representa futuro, contemporaneidade que acho fundamental.

As cores de São Paulo são preto - representando o negro, o branco - representando o europeu e o vermelho - representando os índios nativos. Ao todo me parece que faltou um trabalho mais explícito em conceito, ajustes finos e execução e a apresentação em geral da nova marca do foi bacana, impressionante, colorida, uma festa como nós brasileiros gostamos e sabemos fazer!

Logo pensei na marca de Melboure - Australia. Essa marca foi pensada e desenhada pela Landor. E, UAU!!

Morei em Melbourne por um tempo e, sempre achei a cidade bem compáravel à São Paulo. O australiano com o brasileiro. O clima! A praia deliciosa e afastada! A cidade e seus suburbios!

Comparando estes dois logos, sinto que se sobressai o quanto aqui no Brasil nós, designers + clientes ainda temos um grande caminho pela frente na arte de bem pesquisar, bem conceituar, bem simplificar, bem resolver, bem finalizar, bem profissionalizar processo, enfim, demonstrar eficiencia e modernidade unido a essa festa que sabemos e gostamos bem de fazer.